Outubro Rosa

02/10/2017

(Fotografia de Rose Jordão Binda)

 

 

Sabe aquelas histórias que fazem o coração bater mais forte, uma lagriminha escapar dos olhos e pensar que a vida vale a pena?! Então, é uma dessas que eu vou contar agora.

 

Em 2014 minha vida mudou para sempre. Engravidei, conheci a Dança Materna e conheci também mulheres que me apresentaram um novo mundo. Um mundo de parceria, apoio, irmandade, risadas e sonhos.

 

Frequentávamos a mesma reunião de gestantes promovida por uma obstetra e por doulas (anjos encarnados!) todas as terças-feiras. Também fazíamos consultas coletivas, que eram encontros mais íntimos, onde falávamos de angústias, receios e desejos, além de saber da saúde do bebê, claro!

 

Em um desses preciosos encontros, uma mãe abriu seu coração contando sua história. Um câncer de mama violento há alguns anos não a permitiria amamentar sua filha. Seu grande sonho, mesmo assim, era que sua filha recebesse leite materno. Foi a Bancos de Leite e descobriu que não conseguiria por muito tempo. Os estoques dos bancos mal sustentam os hospitais aliados. Foi então que, tocada pelo desejo dessa mãe, uma outra gestante presente no encontro, disse que gostaria muito de doar seu leite quando seu filho nascesse e que gostaria de doar para ela, se ela aceitasse. Mais do que depressa ela aceitou, surpreendida por tamanho ato de amor. Várias outras mães presentes se prontificaram a fazer o mesmo. A obstetra responsável pelos encontros tratou de verificar os exames de cada doadora.

 

Esse foi o primeiro passo para a formação dessa rede. Criamos então um grupo no whatsapp. Os bebês foram nascendo, o período de amamentação se concretizando e a mãe central da nossa história teve que comprar um novo freezer para estocar os leites que sua filha receberia desde as primeiras horas de vida. O puro leite materno.

 

Por seis meses, o pai, super parceiro da nossa protagonista, saía São Paulo a fora buscando os leites que eram ordenhados e congelados por mães dos quatro cantos da cidade, tomando o maior cuidado em transportar esse bem tão precioso. Era amor líquido!

 

Quando o estoque estava acabando, nos juntávamos para uma “força tarefa”. Chamávamos de “ordenhaço”. Cada uma levava sua bomba e assim passávamos algumas tardes de boa conversa, choros e risadas, entre mamadas, trocas de fralda e risos de bebê.

 

 

A história não parece incrível até aqui? Então, segura que lá vem mais.

 

Quando a nossa filha de leite estava prestes a completar 6 meses, um daqueles anjos encarnados chamado doula, nos contou a história de uma outra mãe que descobriu o câncer de mama aos 5 meses de gestação. Foi um grande susto. Ela só poderia cuidar do câncer depois do nascimento da sua filha (sim, uma menina também. Outra mulher para escrever lindas histórias nesse mundão!). E, para se cuidar, não poderia amamentar, pois o leite ficaria radioativo. A bebê nasceria bem no momento que a nossa primeira filha de leite completaria seu ciclo indicado pelo ministério da saúde de aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de vida. Nossa protagonista então disse que era hora de “passar o bastão”. Ela realizou seu sonho de alimentar sua filha com leite materno. Claro que topamos! Nessa altura do campeonato, outras mães tinham se juntado a nós, com filhos mais novinhos e com muuuuito leite. Perfeito! Entraríamos na fase 2!

Ela nasceu! Fomos visitá-la, mas antes de nós, nosso leite já tinha chegado até ela.

Nossa 2a bebê também mamou 6 meses de leite materno exclusivo.

 

Abrimos nosso coração para um 3o bebê, mas até hoje ele não apareceu. Ou ele não nos encontrou. Uma pena!

 

Junto da saúde das nossas filhas de leite, da felicidade e tranquilidade das mães delas, nasceu uma amizade que não tem tempo, tamanho nem limite. Não sei dizer quantas somos, nem quero contar. Somos muitas, somos únicas, somos mulheres, somos mães e somos potentes.

 

Minha força renasceu com elas, com a história que escrevemos e hoje queremos contá-la ao mundo para falar sobre o câncer de mama. Ele é grave, ele é dolorido em vários sentidos e preveni-lo não dá trabalho nenhum.

 

Nos juntamos a campanha da fotógrafa Rose Jordão Binda para falar desse assunto com poesia, que é o que vemos nessa primeira foto da campanha.

 

Se cuide. Se olhe. Se toque.

 

(Sandra Storino, professora da Dança Materna na zona leste de São Paulo). 

 

 


 

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Dança Materna 2017.